Polícia esvazia escola após revolta de estudantes
Guilherme Russo
do Agora
Mais uma escola estadual foi invadida pela Polícia Militar para conter um tumulto causado por estudantes. Ontem de manhã, a escola estadual Professora Francisca Lisboa, em Osasco (Grande SP), registrou explosões de várias bombas. Havia cerca de 700 pessoas dentro da unidade na hora na confusão.
| Guilherme Lara Campos/Folha Imagem |
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| Entrada da escola estadual onde ocorreu entrada da PM |
As bombas explodiram no pátio perto das 10h. A PM chegou em seguida. Os alunos, do ensino fundamental e médio, reclamam que a PM agiu de forma violenta, batendo neles com cassetete e jogando gás de pimenta para conter a confusão. A polícia nega, diz que a ação foi pacífica e que as acusações são "conversa de criança".
A princípio, segundo a versão dos estudantes, a PM obrigou os alunos a voltar para a sala de aula. De acordo com os relatos, já dentro das salas, alunos mais revoltados começaram a destruir carteiras. Eles contaram ainda que houve princípio de incêndio em latas de lixo onde as bombas explodiram e que alguns extintores de incêndio também foram depredados.
Os estudantes disseram que, pouco depois, os PMs os obrigaram a deixar a escola. Na hora da saída, outra confusão se formou na frente da unidade de ensino, e parte da avenida Professor Lourenço Filho ficou interditada. Mães e alunos queriam saber porque a polícia havia colocado todos para fora da escola.
"Soltaram bomba aí na escola, e a PM começou a bater em todo mundo quando chegou. Foi por causa de um grupinho que também estava tocando fogo nas coisas", disse o estudante Bruno Cesar Vicente, 18 anos, do segundo ano do ensino médio.
Ele afirma que tomou um golpe de cassetete no joelho direito, mostrando um pequeno hematoma. "Sobrou para todo mundo."
Desespero
A cozinheira Maria Lidonei Bessa, 36 anos, contou que sua filha ligou para casa desesperada pedindo que a mãe fosse buscá-la. "Ela disse que vários colegas ficaram machucados", afirmou a mãe.
Uma estudante de 16 anos, do primeiro ano do ensino médio, contou que "muita gente passou mal por respirar o gás de pimenta". Ela disse que os policiais jogaram o gás dentro das salas, quando a turma havia voltado para lá.
Um outro aluno, de 17 anos, disse que os primeiros PMs que chegaram ao local "não quiseram conversa" e jogaram spray e agrediram os alunos. "Me bateram sem motivo. Fui agredido e humilhado", afirmou, contando que a PM golpeou as pernas dos jovens, que foram impedidos de filmar a ação com os celulares.
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