Governo vai cobrar de editora reembolso por livros inadequados
Livia Sampaio
do Agora
A FDE (fundação da Secretaria de Estado da Educação) decidiu multar a consultora contratada para selecionar e compor os acervos do programa Ler e Escrever por ter escolhido um livro com conteúdo sexual e palavrões e pedir o reembolso do valor dos volumes e das despesas de recolhimento à editora. A sindicância durou 50 dias, e o valor da multa não foi divulgado.
"Dez na Área, um na Banheira e Ninguém no Gol" seria usado como material de apoio por alunos de nove anos. A sindicância concluiu que "a editora Via Lettera, responsável pela obra, omitiu-se acerca do conteúdo impróprio do livro". Ele seria usado por estudantes de terceira série e chegou a ser distribuído às escolas em maio, mas foi recolhido logo depois.
A reportagem não conseguiu localizar representantes da editora ontem. Em maio, Roberto Gobatto, gerente de marketing da Via Lettera, afirmou que não houve influência na seleção. "Nós não destinamos o livro a série A ou B, vendemos para a secretaria, que faz a distribuição." Ele diz que a empresa acredita não ter havido erro na escolha do título, "de excelente qualidade".
Quando à multa, a secretaria diz que a consultora nem sequer leu o livro antes de selecioná-lo. "Ela leu o prefácio do livro, assinado por um ex-jogador consagrado [Tostão], fez boa avaliação do projeto gráfico e averiguou histórias aleatoriamente, sem atentar para os relatos impróprios contidos em três das onze histórias do livro", afirmou.
Também haverá mudança no processo de aquisição, anunciou a secretaria. Será necessária a "emissão de conclusão fundamentada de analista para cada obra quanto a sua adequação", além de declaração de representante da empresa "responsabilizando-se pelo conteúdo das obras encaminhadas à análise".
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