Brasil
14/04/2012

Supremo nega suspensão de inquérito contra senador

Folha de S.Paulo

Brasília - O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou ontem o pedido feito pela defesa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) para suspender o inquérito no tribunal que investiga o parlamentar.

Sua defesa havia pedido a suspensão até que a corte avalie a anulação das gravações que mostram Demóstenes prestando favores ao bicheiro Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar esquema de jogo ilegal.

As gravações foram feitas na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que levou Carlinhos Cachoeira à prisão em 29 de fevereiro.

A defesa de Demóstenes Torres argumenta que, por ele ter foro privilegiado, não poderia ter sido monitorado sem o aval do Supremo.

Lewandowski atendeu parte do pedido da defesa ao permitir que as escutas e a ação penal que tramita na Justiça de Goiás sejam encaminhadas integralmente ao Supremo -- assim, Demóstenes Torres poderá saber do que elas tratam.

Reunião

O presidente do Conselho de Ética, que processa o senador por quebra de decoro, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), pediu para se reunir com Lewandowski na terça para solicitar o envio do inquérito ao Senado.

O pedido já foi negado ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mas agora Valadares argumenta que há um processo contra o senador.

"Levo um precedente em que houve o compartilhamento de informações com o Conselho de Ética", afirmou ontem.

Relator do processo contra Demóstenes Torres, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que o envio do inquérito à Casa agilizaria as investigações.

Resposta

Brasília - O advogado de Demóstenes Torres, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que a decisão do Supremo não é uma derrota.

"Um ministro não pode liminarmente tornar nulas as provas. O que muda é que o inquérito foi paralisado. Vamos agora ao mérito [da validade das provas]."

A defesa de Demóstenes espera que os ministros decidam pela ilegalidade das gravações, para tentar evitar que o senador responda pelas suspeitas de beneficiar Cachoeira.

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