Após fogo, famílias invadem prédio por 6 horas
Willian Cardoso
do Agora
Cerca de 200 desabrigados da favela Vila Nova Jaguaré (zona oeste de SP) --que pegou fogo na noite de anteontem--, invadiram e ficaram durante seis horas em dois dos 11 prédios da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado) em construção próximo ao local do incêndio.
O grupo afirmou que o objetivo da invasão era chamar a atenção para o que considerou uma falta de ação do poder público para socorrer os desabrigados após o desastre. Como não tinham para onde ir, famílias inteiras ficaram na rua na noite após a tragédia.
| Almeida Rocha/Folha Imagem |
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| Moradores retiram pertences de prédio invadido |
Revoltado, um grupo de cinco desabrigados se reuniu, por volta das 13h, no meio do terreno e disse que, se chovesse, os prédios seriam invadidos. A invasão começou cerca de cinco minutos depois, quando alguns homens derrubaram o muro de proteção que separava os conjuntos habitacionais da extinta favela. Mulheres e crianças entraram nos apartamentos logo em seguida. Dois prédios com 12 apartamentos cada foram complemente tomados.
Só cinco seguranças privados protegiam os 11 prédios no momento da invasão. Sete guardas-civis e dez policiais militares chegaram em seguida. Às 16h30 uma comissão de moradores se reuniu com representantes da prefeitura, que não se identificaram para a imprensa. "Não vamos sair daqui para um albergue ou abrigo sem a garantia de que seremos incluídos em um programa habitacional", disse o líder Elias Ferreira Santos, 26 anos, da União dos Moradores de Vila Nova Jaguaré.
No início da noite de ontem, houve uma nova reunião com representantes da prefeitura e os desabrigados concordaram em deixar os prédios da CDHU. Por volta das 19h20, os desabrigados deixaram o prédio e foram levados para o Clube Escola Jaguaré, onde passariam a noite. O destino definitivo das famílias não estava definido ontem à noite.
Elas apenas receberam a garantia da Secretaria Municipal da Habitação de que um novo cadastramento seria feito e o caso de cada desabrigado seria analisado individualmente. Lideranças comunitárias disseram para representantes da prefeitura que gostariam de separar os necessitados dos oportunistas.
Cestas básicas
A Defesa Civil distribuiu 320 cestas básicas e 720 colchões e cobertores na madrugada de ontem. A ajuda foi considerada insuficiente por moradores, que reclamaram que não havia onde cozinhar os mantimentos ou se abrigar.
Entidades distribuíram alimentos, mas pessoas que foram fazer as doações reclamaram da falta de organização. A Defesa Civil rebateu as críticas dizendo que entre 232 famílias cadastradas, apenas oito aceitaram ficar em albergues.
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