Entidade lista problemas em creches conveniadas
Gilberto Yoshinaga
do Agora
Irregularidades trabalhistas, superlotação nas salas, cobrança indevida de material e dificuldade de acesso para deficientes. Estes são alguns problemas observados nas creches indiretas e conveniadas da capital pelo Movimento de Mães sem Creche. A entidade, formada por mães de alunos, luta para acabar com a fila de espera por vagas em creches --de quase 85 mil crianças em toda a cidade.
Com base em denúncias de mães de alunos e de funcionárias de algumas unidades, os problemas foram detectados pela associação em sete meses, durante a formulação de um relatório sobre a qualidade do atendimento e as condições de trabalho nas creches indiretas (mantidas por entidades filantrópicas em prédios da prefeitura) e conveniadas (mantidas por organizações sociais em prédios alugados ou das organizações). O documento, que destaca as questões trabalhistas, deve seguir na terça, dia 13, para o Ministério Público e o Ministério do Trabalho.
| Andre Vicente/Folha Imagem |
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| Andréia tirou o filho da creche por conta do atendimento |
Numa amostragem com 131 professoras de 16 creches, o dossiê apurou que 110 delas, ou 84%, atuam como professoras, mas estão registradas como "auxiliares de desenvolvimento infantil". Com isso, têm salário de R$ 810 por 30 horas semanais de trabalho, enquanto quem é registrado como professor na rede direta ganha R$ 1.237 por 40 horas semanais. Só 21 profissionais pesquisados, ou 16%, têm o registro correto.
"As professoras sabem que está errado, mas não tocam no assunto porque temem perder o emprego", diz uma das coordenadoras do movimento, Silvana Soares de Assis, 44 anos. De quatro professoras ouvidas pela reportagem, só uma concordou em ser identificada e fotografada.
Silvana afirma que, entre agosto e setembro, solicitou três reuniões com o secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, para debater a questão. "As três foram desmarcadas e não houve mais retorno. Por isso, resolvemos levar o caso à Justiça.
Mais problemas
Além desses problemas e da superlotação, que a entidade diz atingir "grande parte" das creches, também há questões pontuais. No CEI (Centro de Educação Infantil) Raio de Luz, a direção cobra uma lista mensal de materiais a serem levados, que incluem até papel higiênico. "O poder público tem a obrigação de fornecer 100% do material que as crianças precisam, incluindo fraldas", diz Silvana.
Segundo a entidade, o CEI Coração de Maria cobra R$ 15 por mês de cada mãe, algo irregular. Um aluno cadeirante estuda no piso superior, mas a creche não tem rampa de acesso. "O pessoal tem de ficar carregando o menino. Acho perigoso", diz a dona de casa Felicidade Lopes de Souza, 38 anos, mãe de Nathan, 4 anos.
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