Nas ruas
10/07/2017

Em noite fria, prefeitura não recolhe morador de rua

William Cardoso
do Agora

A gestão João Doria (PSDB) ignora moradores de rua que passam frio na capital. Foi o que constatou a reportagem do Agora, entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira passada.

Com o termômetro oscilando entre 11ºC e 12ºC, o Agora localizou cinco lugares da capital onde pessoas estavam dormindo ao relento. A reportagem acionou a prefeitura pelo telefone 156 e em nenhum ponto houve a abordagem dos moradores de rua.

Funcionários da Cape (Coordenadoria de Atendimento Permanente e de Emergência) deveriam abordar, conversar e tentar convencer essas pessoas a ir para um abrigo. No entanto, eles passaram com o veículo em frente aos moradores de rua e não pararam –isso quando foram até os locais indicados.

No dia seguinte, quando a reportagem voltou a ligar para o 156 questionando o que foi feito, a prefeitura disse que "passou nos locais, mas os moradores de rua não foram localizados".

A gestão Doria tem feito propaganda pedindo para a população ligar para o telefone 156 sempre que for vista uma pessoa dormindo na rua quando a temperatura ou a sensação térmica forem inferiores a 13ºC.

A reportagem ligou pela primeira vez para o 156 às 21h20 de domingo, solicitando o resgate de uma família no canteiro central da av. Professor Noé de Azevedo, na Vila Mariana (zona sul). Os problemas começam aí: cinco minutos de espera só para a reportagem conseguir falar com uma atendente.

A funcionária disse que o envio de uma equipe poderia demorar até três horas. O Agora esperou. Uma hora depois, a perua da Cape passou bem devagar e, ao se aproximar da barraca com a família, foi embora. Os funcionários nem desceram do veículo.

A reportagem usou o mesmo procedimento para pedir ajuda a moradores de rua em outros quatro locais. Em nenhum dos casos o veículo passou, e as pessoas permaneciam ao relento ao menos até as 3h30.

Protocolos

Na terça-feira, com os protocolos em mãos, a reportagem pediu via 156 esclarecimentos sobre qual destino foi dado aos pedidos de resgate.

Segundo o atendente, a Cape respondeu que não havia localizado os moradores de rua em nenhum dos cinco pontos solicitados.

Em todos os casos, a reportagem passou endereços detalhados (com nome da rua, altura, pontos de referência e quantidade de pessoas em situação de rua).

Perua deixa para trás quatro crianças

A perua da Cape (Coordenadoria de Atendimento Permanente e de Emergência) deixou para trás na noite gelada do domingo quatro crianças, de 11 meses a 7 anos. Elas estavam em uma barraca com os pais no canteiro central da avenida Professor Noé de Azevedo, na Vila Mariana (zona sul).

Os coletores de reciclagem e artesãos Lucas Francisco Rosa, 27 anos, e Janaína Rodrigues Moreira, 24, vivem na rua desde que o barraco onde moravam no Parque São Rafael (zona leste) pegou fogo, há quatro anos. Eles não se separam de seus quatro filhos, Davi, 7, Daniel, 5, Yasmin Kerollayne, 3 anos, e Wendel Mateus, 11 meses.

Janaína conta que a família já chegou a viver em um abrigo da prefeitura, mas o local recebia usuários de drogas e havia muitas brigas, o que fez com que decidissem retornar às ruas.

"Falaram que teria serviço, que conseguiríamos trabalhar com carteira assinada, com escola para as crianças. Chegamos lá e não era nada disso", afirma.

No meio da rua, eles contam com a solidariedade das pessoas que passam por lá e deixam alimentos e roupas. Lucas, o pai, diz que até conseguiria pagar um pequeno aluguel com o que ganha com reciclagem e artesanato. "O problema é encontrar alguém que alugue para uma família com quatro crianças. Ninguém aceita", diz

Faltam vagas, dizem especialistas

Falta de vagas em abrigos e de profissionais capacitados são alguns dos problemas apontados por especialistas como responsáveis pela precariedade no atendimento à população de rua na capital. Segundo eles, o serviço falha ao não fazer a abordagem das pessoas.

Vice-presidente do Cress (Conselho Regional de Serviço Social), Patrícia Ferreira da Silva afirma que a prefeitura não está preparada para atender os moradores de rua durante o inverno. "Se não há vagas suficientes para acolher essa população, abordar é uma tarefa inútil. Hoje, se faz remendos. Não há uma fiscalização séria sobre isso. Não há supervisão técnica. Há uma alta rotatividade entre as pessoas que trabalham nesse setor.

Segundo Karina, também falta espaço adequado para receber famílias inteiras. "São Paulo conta com esse serviço, mas é muito reduzido. A mãe fica com os filhos em um lugar e o pai em outro, para garantir que um adulto fique com as crianças. No caso, a mulher", diz.

Professor de sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em população de rua, João Clemente de Souza Neto afirma que falta estrutura. "Tem mais gente que capacidade de atendimento. No último ano, aumentou muito a população de rua. A estrutura da prefeitura tem diminuído. Quando o governo fala em redução de custos, reduz entre os mais fragilizados".

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