Mundo
31/08/2012

Presidente do Egito virá ao Brasil em setembro

Folha de S.Paulo

A visita do presidente do Egito, Mohamed Mursi, ao Brasil está confirmada para o fim de setembro.

Eleito há dois meses na primeira eleição presidencial livre da história do Egito, o islamita se reunirá com a presidente Dilma no dia 28.

Na pauta do encontro estarão, além da onda de revoltas no Oriente Médio conhecida como Primavera Árabe, o interesse do governo egípcio nas políticas brasileiras de inclusão social e geração de emprego.

Será uma das primeiras viagens internacionais de Mursi desde sua posse, que marcou a histórica chegada ao poder da Irmandade Muçulmana, o grupo islamita mais influente do mundo.

As boas relações do Brasil com o Egito não sofreram com a queda do ditador Hosni Mubarak, afirma Paulo Cordeiro, subsecretário do Itamaraty para Oriente Médio e África.

Segundo ele, apesar da turbulenta transição egípcia, o volume de exportações brasileiras chegaram a US$ 3 bilhões (R$ 6 bilhões) no último ano, mais que o dobro em relação a 2010.

A aposta é que o acordo de livre comércio assinado pelo Egito com o Mercosul ajude a ampliar o intercâmbio comercial.

Na política, espera-se dissonância em relação à crise na Síria: o Brasil ainda acredita no diálogo com Bashar Assad, enquanto Mursi defende abertamente a revolução contra o ditador.

Mursi chegou ao poder após uma revolução pró-democracia que não foi iniciada pela Irmandade Muçulmana --mas ganhou as eleições livres que ela produziu.

Com habilidade, tem se livrado das amarras impostas por seis décadas de ditadura militar. O último exemplo foi a exoneração dos dois principais chefes militares.

Para o especialista Robert Springborg, da Escola Naval de Pós-graduação, nos EUA, a manbra foi possível graças a um golpe da nova geração de oficiais, insatisfeitos com a transição conduzida pelos septuagenários generais.

Apesar de reconhecer os ganhos dos islamitas, Springborg acha que a chacoalhada na cúpula militar não reduzirá o poder do Exército, que poderá até aumentar sua influência se optar pela profissionalização.

A disputa de poder entre militares e islamitas continuará, prevê, sem um claro ganhador, e provavelmente sem violência. "O jogo está equilibrado", conclui.

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