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O primeiro anti-herói
Ana Paula Branco
do Agora
Na primeira reportagem da série sobre os livros de leitura obrigatória para os vestibulares da Fuvest e da Unicamp, desenvolvida em parceria com os professores do Cursinho da Poli, o Agora traz a análise de "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida.
Publicada em 1854, a obra é considerada um genuíno romance de costumes do Romantismo brasileiro, já que abandona a visão da burguesia urbana para retratar o povo.
"A corte é apenas pano de fundo para um ambiente popular de comadres, feiticeiros e ciganas, festas religiosas e procissões e, sem dúvida, de malandragem", conta a professora Cristiane Bastos.
Leonardo, personagem principal, é tido como o primeiro anti-herói da nossa literatura, representando o malandro brasileiro.
"Mas isso não é motivo para que o narrador o julgue. Vale mais por ser um romance de costumes", afirma Cristiane.
Apesar do título, o foco narrativo é em terceira pessoa e conta as desventuras de Leonardo no Rio de Janeiro na época em que a família real portuguesa chegou ao Brasil.
Por ter uma linguagem simples, direta e coloquial, o que não era comum na época, a obra é considerada um documento linguístico das primeiras décadas do século 19.
"Isso porque o autor faz um retrato tanto da sociedade quanto da língua utilizada pelo povo."
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