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Ministro do Supremo quebra sigilo bancário de senador
Folha de S.Paulo
Brasília - O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, determinou a quebra de sigilo bancário do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), por cerca dois anos, período em que ele foi flagrado em conversas telefônicas com o empresário ligado à exploração de jogos clandestinos, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira --que foi preso pela Polícia Federal.
Lewandowski é o relator do inquérito sobre Demóstenes apresentado na terça-feira pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Gravações reveladas anteontem pelo "Jornal Nacional", da TV Globo, mostravam o nome do senador do DEM mencionado em conversas em que o bicheiro e integrantes de seu grupo discutiam cifras milionárias.
O ministro pediu ainda ao Senado a lista das emendas ao Orçamento apresentadas por Demóstenes --isso pode indicar que uma de suas linhas de investigação será analisar se o senador utilizou prerrogativas de seu cargo para favorecer Cachoeira.
Ricardo Lewandowski negou, no entanto, pedido do procurador-geral para um depoimento de Demóstenes Torres por entender que ainda não é a hora.
Carlinhos Cachoeira está preso preventivamente desde 29 de fevereiro, após a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desmontou uma quadrilha que explorava máquinas caça-níqueis.
O senador aparece em conversas telefônicas, interceptadas com autorização judicial, com Cachoeira.
Demóstenes admite que recebeu do empresário telefone especial para conversas entre os dois. A Polícia Federal gravou cerca de 300 diálogos entre o senador e o bicheiro.
Resposta
Brasília - Questionado sobre as gravações, o advogado do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), Antonio Castro, afirmou que elas não têm valor jurídico e são totalmente nulas. Isso porque o senador só poderia ser investigado com autorização do STF.
As defesas de Cachoeira e de outros presos pela PF não foram localizadas.
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